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domingo, janeiro 02, 2022
Guerra do Ultramar Niassa Lunho Moçambique 1972 a 1974.
Nesta cozinha também comi arroz com caganitas de rato e uma salsicha, comi carne de vaca ou de burro que alguém tinha rejeitado. O vinho da velha cepa não chegava a estas paragens, chegava sim uns barris cheios de água do Lago do Niassa, com um pouco de tinta vermelha, e outros cheios de vinagre. Mesmo assim o vinagre e a água colorida, era racionalmente servido por um elemento da secção da cozinha com uma lata de cerveja cortada pelo meio. A sopa era confecionada com água, Feijão preto, arroz, e couves da machamba, que era boa para alimentar «porcos». O zé soldado diariamente, fazia uma visita à enfermaria para lhes ser administrada um concentrado de comprimidos, e injeções cavalares de vitamina, nas veias. Os protagonistas era um problema, sem por evidencia que estavam envolvidos, num drama de todos nós seres humanos. estavam focados na guerra, e nos mantimentos que pertenciam a todos nós soldados, que tínhamos direito, muitas vezes eram desviados, pelos funcionários da cozinha, A rede funcionava durante vinte e quatro horas, incluindo a hora das refeições, passei momentos de muita expectativa, entre o viver, e o parecer. Neste aglomerado de latas e canas de bambu, sofri a mágoa, e a ausência dos meus familiares. A contextualização politica do nosso 1.º sargento Bizarro e o 2.º Sargento Cruz, este sempre aparecia diariamente, a passar a ronda à cozinha, isto era uma guerra feita de pessoas, comuns com todos os condicionalismos como, eramos apenas uma simples companhia Independente. A alimentação deveria ser igual para todos os elementos deste grupo bélico, contudo eramos de carne e osso e as divisas ou galões, pouco nos deveria dizer. Esta cozinha tinha dependurado num dos barrotes, um ferro que fazia de sineta para chamar todos nós que era hora das refeições. Os componentes que faziam parte desta cozinha esses também eram os melhores do Lunho, faltava-lhes apenas o casaco branco, e as boas maneiras de todo o empregado que se batia à gorja. No Lunho o pessoal sujeito à alimentação que se verificava, o 1.º cabo cozinheiro desviava da cozinha, a melhor carne, e o vinho da velha cepa, que era destinada para todos nós, o empregado do depósito de géneros, também entrava nessas andanças. Um dia 1.º cabo cozinheiro responsável pela cozinha, ficou surpreendido e incomodado pela minha presença, quando os fui encontrar, dentro da sua caserna. Eu vi com os meus olhos, um banquete com alimentos desviados da cozinha. Convidava os amigos mais próximos, e aqueles com quem simpatizava, isso era uma concordância. O nosso comandante, oficiais e sargentos nada fazia, para acabar com os petiscos roubados, ao zé soldado que ali habitavam naquele buraco do Lunho. Eu era de carne e osso e vivia como eles, naquele isolamento.
quarta-feira, novembro 24, 2021
Malema-Entre os Rios Moçambique 1974:
Durante tanto tempo que durou a nossa estadia por terra de Moçambique, um dos desejos mais frequentes, que alimentava o sonho da rapaziada, era sem qualquer margem para duvidas o momento de que comprida a comissão, se regressaria a casa. Enquanto durou a nossa via- sacra, pelas terras inóspitas e picadas de Moçambique, isso era algo que parecia muito distante quase inacessível. Mas aos poucos naquela exasperante lentidão, espinhosa teimavam em empatar e porque o tempo não para, os dias foram sucedendo às noites, os meses preenchendo-se e o tempo passando até àquele dia memorável, em que nos tiram dali, despejando-nos no aprazível sossego de Malema, È verdade que nos sentimos verdadeiramente, compensados dos tratos sofridos no meio das picadas nas terras- do- fim-do mundo. contudo, não obstante este episódio da Companhia de Caçadores 41 41 os Gaviões. Todos se lembrarão que por alturas do mês de setembro de 1974 correu a celebre noticia, de que que a saída de Malema, seria no dia 30 de Setembro. Nós estávamos na expetativa quando por ali chega-se os que nos vinham render. Aguardando o embarque na estação de Malema, estávamos livres da porta de armas, postos de sentinela, das operações e das exigências militares, a coisa esmoreceu um pouco. Seguimos num comboio até Nampula aguardando embarque para a cidade da Beira onde desembarcamos à nossa chegada. Assim sendo aproveitou-se tanto quanto possível o afrouxar da disciplina, usufruindo de tudo o que a cidade tinha para oferecer. Alguns mudaram-se para pensões, para facilitar as pernoitas e comer bem, por menos dinheiro calcorreavam-se as explanadas, bares, e compensaram-se as privações passadas, até com cada vez maior acerto, A última noite passada em Nampula, aquilo que começou a ser um simples jantar, num qualquer restaurante, virou noite de farra. esvaziaram-se garrafas, misturou-se cerveja, entendeu-se que a ultima noite seria de desbunda. ultimo dinheiro em notas Moçambicanas e até moedas, creio que se foram. Retenho na memória o desembarque em Lisboa, no aeroporto de Figo Maduro no dia 15 de outubro de 1974 noite fria e húmida, que contrastava o cacimbo de Moçambique. Despedi-me definitivamente ali mesmo da minha farda, quase sem sem me despedir dos meus camaradas . Mas olhando assim à distância do tempo ainda me interrogo como foi possível ali viver durante tanto tempo tão longe de tudo o que se assemelha-se da civilização.
C.CAC.4141 os gaviões : A PRIMEIRA SEMANA DA MINHA RECRUTA: EM VILA REAL D...
sábado, julho 03, 2021
terça-feira, abril 27, 2021
segunda-feira, abril 19, 2021
domingo, março 21, 2021
domingo, novembro 01, 2020
sábado, outubro 31, 2020
NOITE DE CONSOADA DO ANO DE 1972.
O mês de novembro de 1972 dia 19 ia já avançando, quando aportamos àquelas paragens dali até ao Natal seria um saltinho. Naquele fim do mundo, a quadra festiva aproximava-se ao rítimo indolente da calmaria, andamento já de si retardado pela contagem decrescente dos dias, alimentando o desejo. sofrido de ver chegado o dia do regresso, dando maior dimensão ao longo caminho que ainda tinha de percorrer não havia ruas iluminadas, nem lojas nem pais natais apenas um dia a seguir ao outro, num território inóspito e desconhecido. Por estas alturas o exército costumava abrir os cordões à bolsa, e recomendava rancho melhorado. Contudo não se esperava bacalhau para a consoada menos rabanadas, bolo rei, que por tradição nos empanturramos na quadra natalícia. A frugalidade da comezaina era limitada, pela pouca variedade e escassa do deposito de géneros, valendo a ceia pela companhia devidamente animada, com o vinho de péssima qualidade, único que se dispunha, o vinho de péssima qualidade e que era fornecido em bidões de 200 litros. Nós ainda muito jovens, cercados pelo perigo que nos sufocava, cercados de arame farpado dormindo em cubículos, construídos em chapas de zinco. Não havia uma árvore de Natal, nem presépio, e nem interessava ali no Lunho era um local, muito perigoso de comemorar, não saia da cabeça de ninguém, o trágico e amargo de que o inimigo não aparece-se, por ali com raiva contida, que podia fazer estragos mesmo entre os nossos. pela primeira vez eu passei o Natal longe dos meus familiares. Nem tudo foi mau os cozinheiros serviram o jantar na caserna do primeiro grupo de combate. Naquela noite de consoada, havia guardas de rigorosa prevenção em todos os postos de sentinela, o pessoal da secção da cozinha nos serviram o jantar de consoada, com batatas, e a mirrada posta de bacalhau excecionalmente introduzida na ementa, pobre e rotineira. O cabo cozinheiro, nos serviu um pouco de vinho no copo do cantil, azedo e sabia a vinagre eramos soldados que combatíamos pela Pátria sujeitos a situações. Naquela noite de consoada nem um copo de vinho do Porto, nos ofereceram . Nós ainda eramos checas perdidos no meio do mato e capim não sabíamos o que era a guerra.
A noite de consoada do ano de 1973 chegou com ela a possibilidade, de degustar iguarias várias a que os estômagos, já não estavam habituados por aquelas bandas; O bacalhau e as batatas, para todos nós soldados; O bolo rei, whisky, e espumante à descrição, só para oficiais e sargentos. Confesso que até entanto nunca tinha visto ou imaginado, da primeira noite de Consoada, do ano anterior, comemos e bebemos, para enganar a miséria do nosso dia a dia, no dia seguinte voltamos ao arroz com salsichas. A luta permanente fazia parte da nossa existência, aprendi que no Lunho tinha que distinguir, a existência de "checa" para algo que fazia parte da minha existência de "Velhice". Depois daquele jantar de reconciliação, estendi-me ao comprido, só acordei no dia seguinte, o sol ia já bem alto dormi que nem um justo, que é como quem diz com força o corpo, assim o exigiu e nem sequer esbocei o mínimo gesto de o contrariar.-
Fui apurado para todo o serviço militar obrigatório, a partir desse dia estava às ordens do exército de Portugal, os dias iam passando, um...
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Povoação de Malema Moçambique O ADEUS AO LUNHO NO DIA 23 DE MARÇO DE 1974!!! E O REGRESSO À CIDADE: O facto de não reter pormenores, convenc...
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