quarta-feira, 16 de março de 2016

Miandica 1973.

MIANDICA 1973.
ANTÓNIO CARDOSO COMANDANTE
DA C.CAÇ.4141 OS GAVIÕES
E O COMANDANTE DE NOVA COIMBRA
CAPITÃO SERAFIM DA SILVA SANTOS.
NO DIA 28 DE MAIO de 1973  CHEGOU AO LUNHO A PRIMEIRA PARTE DO PESSOAL E AS MÁQUINAS DA 2.ª
COMPANHIA DE ENGENHARIA TENDO O RESTANTE DO PESSOAL GHEGADO NO DIA 29 E 30 de 1973.
A COMPANHIA FICOU SEDIADA NO LUNHO..
A 2.ª COMPANHIA DE ENGENHARIA TEVE A FINALIDADE DE CONSTRUÍR UMA PICADA ATÉ AO
PLANALTO DA MIANDICA E RECONSTRUÍR A PISTA DE AVIAÇÃO  E A APROPRIAÇÃO DO TERRENO PARA
INSTALAÇÃO DE UMA FORÇA TIPO COMPANHIA.

7 comentários:

  1. Naquela tarde "saturna" em que a humidade e o calor faziam desejar o Inverno do "puto" o foi grande a sobressalto.
    Não sabemos quantas "ameixas" os 8.8. enviaram com o desejo que fizessem o trabalho que lhes estava destinado. O troar era intenso e durou uma eternidade. Foi mais um ataque á Miandaica, estávamos no Outono de 1973...quem se lembra. Os que lá estavam.

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  2. Miandica Março de 1973:
    Foram apeados dois oficiais da segunda companhia de engenharia ao planalto da Miandica e à zona monte Chissingo para fazer o reconhecimento. Estes dois oficias foram escoltados por dois grupos de combate da C.CAC.4141.
    No dia 28 de Maio de 1973 chegou ao Lunho a primeira parte do pessoal e das máquinas da segunda companhia de engenharia tendo o restante pessoal e material chegado nos dias 29 e 30.
    A companhia de engenharia ficou sediada no Lunho. A operação teve por finalidade à construção de uma picada até ao planalto da Miandica e a reconstrução da pista de aviação e apropriação do terreno e a construção de um novo aquartelamento.

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  3. A segunda companhia de engenharia se empenhava nos seu trabalhos com a proteção da C.CAC.4141 estava constantemente a ser atacada pelo inimigo no dia 01 de Novembro 73 a C.CAC.4141 ao fazer um patrulhamento a viatura em que seguia-mos foi atacada por um grupo de 06 elementos da FRELIMO que falegou com armas automáticas mas sem consequências. No dia 08 de Novembro saímos com uma viatura para seguirmos viagem para o planalto da Miandica surpreende-mos um grupo de 03 elementos da FRELIMO a tentar implantar uma mina na picada anticarro na picada da Miandica aos primeiro tiros de G3. Se puseram em fuga.16 de Dezembro de 1973 foi detetada e levantada uma mina anticarro na picada do Lunho e a Miandica. No dia 06 de Fevereiro de 1974 durante a batida efetuada ao local de onde tinha sido atacado no dia anterior os trabalhos na Miandica foi capturada uma espingarda automática uma mina anti grupo e 7 portas granadas de canhão sem recuo. 08 de Fevereiro de 1973 foi detetada uma mina anticarro na picada do Lunho Miandica.
    13 de Fevereiro de 1974 um grupo de 08 a 10 elementos da FRELIMO flagelou durante 10 minutos desta companhia empenhados nos trabalhos de desatascar uma viatura na picada do Lunho Miandica sem consequências para o pessoal.
    A picada do Lunho Miandica tornou-se intransitável passando os reabastecimentos ao destacamento da Miandica a efetuar-se apeados ou de helicóptero.
    A C.CAC.4141 continuou a fazer a segurança à Miandica com dois grupos de combate.

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  4. A pista da Miandica ficou totalmente contruída:
    Os guerrilheiros da Frelimo se aproximaram para implantar mais um engenho explosivo "mina anticarro" não contando com a nossa presença no local sentiram as rajadas das nossas armas G3. de imediato se puseram em fuga. Não foi fácil estar num local onde os velhinhos que lá viveram quando existia o aquartelamento lhes chamavam "Miandica" terra do outro mundo.

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  5. "É pá para essa merd..!!. Alguma coisa está lá debaixo daquela árvore queimada...parace uma gazela. E o Ferreira lá estancou o "411" da frente, carregado de canas de bambu...A "varanda do chanceler" tinha o telhado em estado miserável ..e a "arrecadação" precisava de um anexo e foi decidido ir ás canas. Havia muitas e boas a meio caminho entre o Lunho e a Miandica.
    Tu que atiras bem vai lá sentenciou-me o Amador.
    A queimada deixou uma orla com uma centena de metros que se estendia até á picada.
    Eu e o Amador lá fomos agachados pelo capim até meia dúzia de metros o inicio da queimada.
    "Deixa-me" apoiar a arma no teu ombro."foi na minha vez de ordenar para o Amador".
    A decisão foi rápida e o tiro certeiro. Meio surdo por não ter atravessado o "quico" a proteger o ouvido o Amador mandou-me para onde eu não fui..
    Naquele dia comemos gazela.
    Comandava o Alferes Carvalho Duarte.




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  6. A 2.ª Companhia de engenharia manteve-se no Lunho até ao dia 20 de Dezembro de 1973 data em que a mesma recolheu a Vila Cabral.Dia 31de Janeiro de 1974 um grupo inimigo atacou durante 40 minutos o estacionamento da Miandica com morteiro 82 BAZZOCA armas automáticas ligeiras e pesadas sem consequências para os nossos soldados.

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  7. A Berliet estacionou na picada para Nova Coimbra a meia distância entre a pista e o primeiro pontão.
    Fizemos o perímetro de segurança enquanto os que foram destinados a cortar lenha iam executando a tarefa.
    Por ali passámos cerca de uma hora entre o corte e o carregamento.
    Alguém reparou num arbusto junto á picada e num ninho “camuflado” com uma cria que pelo especto já estaria prestes a bater a asa.
    Contra alguma vozes dissonantes “voou” para o quartel e foi para as “transmissões” .
    Parecia um melro mas as penas castanhas e a forma do bico não deixavam duvidas de que não era pássaro conhecido pela Metrópole.
    Era uma “macuta” de acordo com os nossos camaradas Africanos .
    E o pássaro foi alimentado de acordo com as indicações que fomos colhendo e coabitou largos meses entre todos que paravam nas transmissões. Bastava estender o braço e lá vinha do poleiro instalado na entrada da caserna.
    Assim se manteve até ser adulto.
    Certo dia reparámos que o perímetro do voo se alargava . Normalmente não ultrapassava o cume dos telhado ou da grade da varanda mas agora passou a incluir a machamba e os arbustos que circundavam a vedação exterior ficando fora do alcance das nossas vistas.
    O pássaro estava mais “arisco” e já não se mostrava tão sociável.
    Certa manhã descobrimos o “mistério”.
    Veio acompanhado . Ele/a e a companhia que não se aventurou a passar do cume do telhado.
    A “nossa” veio até á varanda das transmissões fazer a apresentação saltitando entre o poleiro a mesa e a grade da varanda “grasnando” e de bico aberto…e nos dias seguintes a cena repetiu-se em espaços de tempo cada vez maiores.. até ao dia que por lá ficou.
    E mais “macutas” devem ter nascido pelas selvas do Niassa.
    Foi no Lunho no ano de 1973.

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