quinta-feira, 24 de março de 2016

LUNHO MOÇAMBIQUE 1972.



A VIATURA DE SOCORROS JÁ SE ENCONTRAVA
NO AEROPORTO DE VILA CABRAL PARA ME
TRANSPORTAR PARA O HOSPITAL DO SETOR "A"
HOSPITAL DO SETOR "A" DE VILA CABRAL
ONDE EU ESTIVE ENTERNADO
17 DIAS A TOMAR SÔRO.
"BERNARDINO PEIXOTO"

9 comentários:

  1. Neste acampamento estive sujeito à alimentação que se verificava tive uma grande necessidade incrível de tomar vitaminas dirigi-me ao posto de socorros um barraco que tinha o nome de enfermaria sim este posto de socorros era efetivamente uma miséria.Estava de serviço um membro da comissão veterinária do sexo masculino fui atendido sem refilar porque estava bastante doente e débil em seguida foi administrada e injetada uma injeção cavalar e um concentrado de comprimidos venenosos não patiei porque não era tão doente tão débil como ele julgava.Os dias foram passando e o meu estado de saúde piorava voltei novamente ao miserável posto de socorros o veterinário que se encontrava de serviço dando o alerta que estava com um forte paludismo.Baixei de imediato à enfermaria deixei de fazer serviços deixei a minha cama e fui para uma das camas da enfermaria para o respetivo tratamento. Foi feito o requesito da sopa da messi-dos Oficiais essa que era confeccionada com vitaminas Mas sem resultado positivo.A visita do chefe ao posto de secorros ao verificar o meu estado de saúde lançou um (SOS) e no dia seguinte ao nascer do astro rei um pequeno avião aterrou na pista de aviação para se efetuar o evacoamento para o setor "A"em Vila Cabral.Quando o pequeno avião aterrou no aeroporto já se encontrava uma ambulância para me transportar até à unidade de Vila Cabral onde encontrei um veterinário branco pálido e um médico tenente coronel Chico de bata branca vestida por cima do seu uniforme ao examinar o meu estado de saúde deu as seguintes instruções "administra já um litro de soro neste gajo que ele está pronto para ir para o caixote.Por ordem do médico fiquei 17 dias de baixa numa cama do hospital sendo administrado um litro de soro diariamente.Durante a minha estadia de enfermo diariamente e constantemente ouvia os hélios a descer e a subir transportando camaradas gravemente feridos e outros já moribundos.Passados os 17 dias o médico assinou a alta hospitalar fui encaminhado para a unidade militar de Vila Cabral à espera de transporte numa coluna militar que se direcionava para os lados do inferno do Lunho.

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  2. Neste acampamento podia beber ainda à troca da pecúnia a cerveja com carimbo de isenção mas vendida a preço corrente.Claro que havia mais bebidas mas estas era a peso de consumo.
    muitos se refugiavam-se no tabaco outros no álcool.Havia muitos que nunca haviam fumado ou ingerido bebidas alcoólicas em excesso começaram a partir deste isolamento a viciar-se.Criou este isolamento muitos neuróticos muitas ulceras duodenais muito desgaste muitos fumadores muitos alcoólicos muitos drogados muitos deficientes mentais muitos muitos ....eis a soma de vantagem que esta subversão nos aufere.
    A gente começava a dissertar e por vezes começava a dizer aquilo que nem tinha em mente ou uma série de asneiras.
    Vivi muito longe de todos e de tudo sofri muitas privações mas estou convencido que por mais estúpida que seja portadora de sofrimento que pode parecer gratuito e inútil se for encarada de frente com muita lucidez pode ser uma fonte de enriquecimento humano e ajudar a compreender os outros.
    Isto não um convite à resignação ou uma consolação fácil.È apenas uma reflecção baseada numa pequena experiência que partilho com todos os meus camaradas que comigo habitaram aquele buraco do Lunho.

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  3. Ainda pouco "tisnados" pela caloria da planície "Lunhar" naquele fim do ano de 1972 inicio de 1973 todos estávamos "carimbados" como "checas". Um dos passatempos iniciais naquela clareira que serviria de lar a 130 homens era minutos passadas da "pega" partir e depois da distribuição do correio, feito normalmente por um "arauto" empoleirado num bidon cheio de areia e protetor das costas das costas de fosse meter "ameixas" no 81 instalado na parada, ir assistir frente ao deposito de géneros á mestria com que o Jacinto separava as partes do porco retirado do saco de serapilheira que lhe servia de proteção e das moscas desde Vila Cabral.
    Mas o Jacinto percebia da "poda". Era e foi sempre o seu trabalho na "vida civil" e como tal foi escolhido para "arrumar" em pedaços mais pequenos o que era despachado em grandes.
    "Ho" meu primeiro !. Os porcos que para cá vêm são todos "aleijados".... Risada geral e maliciosa da assistência. Esta teve como consequência que os "desgraçados" a partir daquele momento passaram a ser esquartejados á "catanada" e a vir "completos"..
    Diziam entre "dentes" as más línguas que "cantineiros" em Vila Cabral apreciavam muito as partes nobres dos porcos que eram destinados aquelas bandas do lago Niassa.
    Quem sabe?...era o que por lá se dizia nos fins ..72,inicio ..73.


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  4. 19 de Março de 1974 chegou ao Lunho a C. ART.7260 para a rendição da C.CAÇ. 4141 OS GAVIÕES. Foi executado um plano de sobreposição constituído por tês operações duas de sobreposição com pessoal das duas companhias e a terceira que constava a desarmadilhar e armadilhar todas as obras de arte da Zona.

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  5. Em 21 de Março de 1974 a C.ART.7260 tomou conta do império do Lunho e a 23 de Março 1974 a C.CAÇ.4141 OS GAVIÕES iniciou a sua marcha para Malema-Entre os Rios onde chegou no dia 25 de Março de 1974 tendo rendido no local a C.CAÇ.3468.

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  6. Condecorações e Louvores:
    Foram louvados pelo comandante da Companhia os seguintes militares.
    Furriel Mil.º N.º038555/71 Jorge Martins.
    1.º Cabo N.º037279/72 Rui Santos.
    1.º Cabo N.º187183/71 Carlos S. Pereira.
    1.º Cabo N.º700260/68 Eugénio Abraão.
    Soldado N.º033876/71 Rogério S. Sampaio.
    Soldado N.º035030/72 António S. Cunha.
    Soldado N.º038461/72 Vasco S. Andrade.
    Por despacho de sua Ex.ª O Brigadeiro do Setor "A" de 23 de Março de 1974 foi louvado o 1.º Sargento N.º50094411 Eduardo J.P. Bizarro.

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  7. A companhia deixou de aderir ao B.CAÇ. 19 para efeitos operacionais passando aderir ao B.CAV.8421 em RIBAUÉ passando a pertencer ao Setor C. de uma secção. A atividade operacional desenvolveu-se por patrulhamentos de 1 2 e3 dias de uma secção por dia e por pelotão.
    No dia 06 de Setembro de 1974 chegou a Entre os RIOS Malema a 2.ª C:CAÇ:/B.CAÇ. 4813 que redeu a C.CAÇ. 4141 os gaviões.
    Foi efetuada sobreposição das duas companhias tendo sido rendido o pessoal do Destacamento de MUTUALI em 26 de Setembro de 1974.
    Foi entregue ao comando da 2.ª C.CAÇ./B.CAÇ. 4813 a responsabilidade da zona de ação em 30 de Setembro de 1974.
    A C.CAÇ.4141 os gaviões teve o seu embarque previsto de regresso à Metrópole no dia 16 de Outubro de 1974.Fim de comissão.

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  8. Aterrámos aos salvando na pista de Nova Coimbra, primeira etapa da "pêga" depois do Lunho no regresso a Vila Cabral..Quase no fundo da pista a inversão de marcha feita com curva apertada e impulsionada por um dos motores em forte aceleração. Levava um saco com roupa sobre os joelhos e um garrafão com óleo encostado ás pernas que pelo "nosso primeiro" me fora entregue com a incumbência de o fazer chegar a um amigo seu de Vila Cabral.
    A forte força centrífuga abriu a porta traseira e valeu-me o companheiro de viagem e as costas do banco da frente para não sair "disparado" porta fora. E lá foi a toda a velocidade a "pega" estacionar frente ao quartel.
    Ho "diabo" onde está o garrafão do óleo.??
    O senhor importa-se de esperara um pouco? E lá fui a correr umas largas dezenas de metros pista abaixo até onde as marcas das rodas "mostravam" o local da curva e retirei duma pequena vala atafetada de capim o garrafão que intacto e com todo o óleo chegou ao destino.
    Foi em meados de 1973 na viagem do Lunho para Vila Cabral.

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  9. Tive a sensação que os "zimbrinhos" rolaram pelas pernas das calças e caíram dentro das botas.
    Fiquei "suspenso" no tempo..dois ou tês segundos mas uma eternidade...Até que a voz do Lança souo...podes continuar "este" bateu a um palmo do pé..
    Não sei quanto Fod..-se .Filhos duma pu... saíram pela boca fora até me sentar á sombra da Berliet...e jurar a pés juntos que não voltava aquele bananal..
    Domingo sem nuvens e temperatura agradável naquela manhã da nossa "cidade do Lunho . Alguém se lembrou que lá para os lados do segundo pontão no sentido de Nova Coimbra havia um bananal em sitio por certo anteriormente habitado antes da guerra. Lá fomos de com a intenção de trazer uns "cachos" que alguém durante uma patrulha rotineira tinha avistado.
    A verdade é que lá estavam e deu para trazer uma meia dúzia das que nós chamávamos "banana macaco" ..pequenas mas bem saborosas.
    Às tantas decidimos que uns podiam levar dois "cachos" e um ou dois levar armas dos outros. Vieram parar-me ás mãos quatro de braçado. Mal acabava de lhe pegar e uma "pum"..
    Assim e em coisas parecidas alguns de nós não voltaram ao "puto"...

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