segunda-feira, 7 de março de 2016

SENTI O ESTOIRO DAS GRANADAS PERTO.



"SENTI O ESTOIRO DAS GRANADAS PERTO"
NA DESPEDIDA EXISTIA UMA AMARGURA E LÁGRIMAS
QUE NÃO REBENTAVAM .DEIXAR A BASE PARA A
MISSÃO ERA EMBARCAR NUM JOGO D.E VIDA OU DE MORTE
FOI NESTE POSTO DE SENTINELA QUE SE ENTREGOU O
GUERRILHEIRO DA FRELIMO "SAMUEL"

 
NESTE POSTO DE SENTINELA PERDI
MUITAS NOITES COM AS COSTAS
AO RELENTO COMO UM CAÇADOR
À ESPERA DE CAÇA.

4 comentários:

  1. Perto existia uma base do inimigo à qual chamavam de Mepotxe e diziam que ninguém lá conseguia penetrar dado que o terreno era muito difícil e ainda tinha os trilhos armadilhados.
    O chefe convocou uma operação com uma duração de oito dias para arrasar a dita base.Reunido o senado foi feita a formatura na parada do Lunho para recebermos todas as instruções do chefe e oficiais.A despedida dos que faziam parte da operação foi marcante.Existia uma amargura com lágrimas que não rebentavam.Os que partiam abraçavam os que ficavam para defender o bairro de latas confortando-nos e desejavam uma boa estadia no mato.Parecia que partíamos para muito longe e nunca mais nos iam ver parecia que partiamos para um jogo de vida ou de morte.Estas partidas são cenas que ainda comovem muita gente.Em seguida lá nos foram distribuídas as rações de combate para nos manter de pé nos dias em que tinha-mos de dormir sob o firmamento e com as costas ao rolento.Lá seguimos os trilhos atravessando pequenos rios em direção à base.Fizemos várias pausas para almoçar jantar e prenoitar.No dia 29 de Janeiro de 1973 conseguimos chegar junto do rio da Mepotxe...
    "O CONFRONTO"
    Seguimos um trilho que tinha uma inclinação muito elevada e no cimo avistamos uma palhota onde se encontrava um "turra" da Frelimo de vigia no interior do seu posto de sentinela.Quando deu pela nossa presença fugiu em direção à base para alertar os seus colegas que iam ser atacados.fizemos a perseguição ao "turra" mas não foi possível a progressão dado que ele já levava algum tempo de avanço.Cheguei ao cimo do trilho e lá se encontrava a base constituída por mais de 30 palhotas.fizemos o cerco e os "turras" reagiram com armas ligeiras automáticas.de imediato me deito no solo por detrás de uma árvore.Senti uma rajada de tiros a passar por cima de mim.As balas ficaram cravadas numa árvore.Foi a primeira vês que estive frente a frente com os combatentes da Frelimo.Reagi com fogo de G3.Eles fugiram eu e os meus camaradas fizemos o assalto e com o Ronson da picada chegámos fogo às palhotas. Em seguida começámos a ser bombardeados pelo morteiro 82.Fuji pelo mesmo trilho e já vinha a meio quando de repente ouvi gritos de lá de cima.Era o 1ºCabo corneteiro Fernando Rocha que ficou sozinho dentro da base.Lá voltei a subir o trilho e junto com ele e com os meus camaradas destruímos o resto das palhotas.O bombardeamento do morteiro 82 era muito intenso que sentia as granadas a estoirar muito perto de mim.Ouvia os estilhaços a perfurar as árvores à nossa volta e tive de abandonar a base rapidamente.Sempre que ouvia uma granada a sair do morteiro atirava-me para o solo.Juntei-me aos restantes camaradas que se encontravam à espera junto do rio.A retirada aconteceu num local a poucos quilómetros da base onde fizemos uma pausa para o almoço ração de combate.

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  2. Moçambique Niassa Lunho:
    15 de Fevevereiro de 1973.
    Naquela tarde de 15 de Fevereiro de 1973 entrei de reforço no posto de sentinela que se encontrava junto do depósito de gêneros e se direcionava para a pista de aviação. Levei comigo uma revista (crônica feminina) para ler e me ajudar a passar o tempo.Enquanto desfolhava a dita revista e fumando um cigarro LM não o que a minha imaginação forjar mas sim aquilo que os meus olhos viram ao fundo da pista um homem negro de cabelo encarapinhado caminhando com a sua arma acima da nuca.Aquele homem que não quis primir o gatilho da sua arma quis sim deixar a vida da rebeldia e abraçar conscientemente a bandeira verde e vermelha.Peguei na minha arma G3 encarei de frente e com muita lucidez fui ao encontro do ser humano que logo entregou a sua arma.Esse guerrilheiro da FRELIMO apenas se chamava "Samuel" Senti necessidade de conversar com ele uma conversa baseada numa pequena experiência e ajudar a compreender qual a vida dele no mato.Esse homem apareceu descalço e com a roupa toda suja e rota cheio de fome.Apenas o entreguei ao Comandante da Companhia para ser levado para intorregatorio. Poucos dias depois foi ao Lunho para se encorporado numa operação com os meus camaradas fazendo de guia para os levar ao objetivo. Ganhei um grande amigo sempre que ia ao Lunho ele me procurava me abraçava fiz uma pequena reflexão quando ele me disse que não me abateu porque não quis no sitio onde ele se encontrava facilmente não falhava o alvo.Sim foi difícil de descrever o que efetivamente um inofensivo não me quis roubar a minha vida.

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  3. Aquele homem de cabelo encarapinhado de nome "SAMUEL"que se entregou no posto de sentinela onde eu me encontrava de serviço a fazer reforço no interrogatório o mesmo declarou que no assalto do dia 29 de Janeiro de 1972 à base da Mepotxe foram abatidos o chefe "MACUMBA" três guerrilheiros e uma mulher.

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  4. O Samuel pouco tinha. A Kalash e mais um ou dois punhados de arroz numa pequena saca de pano. Ali estava aquele homem que só queria ser mecânico na Zâmbia na oficina do tio. Ficou muito reconhecido com a manta e os lençóis que lhe emprestei para dormir como um ser humano naqueles dias a aguardar transporte para Vila Cabral. Na despedida esticou a mão e deu-me a colher de sopa "made in china"...e tem servido com frequência para eu comer ....sempre que lhe pego a cena vem á memória... Que esteja bem o Samuel.

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