quinta-feira, 24 de março de 2016

BERNARDINO PEIXOTO.
NO LUNHO 1972.


5 comentários:

  1. «FOI EM 1974 JUNTO À LENDÁRIA PEDRA VERDE»
    Eu como ENFERMEIRO fui destacado para o ÚCUA para a 3ª COMPANHIA render o único ENFERMEIRO que devia estar de serviço mas, adoeceu e encontrava-se internado no Hospital Militar de Luanda, os outros estavam destacados. O Capitão da 3ª Companhia deslocou-se ao nosso Quartel de Quibaxe à nossa Companhia CCS colocar o problema e pedir um Enfermeiro ao nosso Comandante que era o TENENTE CORONEL AMILCAR DA FONSECA.
    O nosso Comandante colocou-o à vontade para escolher o Enfermeiro que entende-se foi o que o Capitão fez, chegou à enfermaria chamou logo pelo nome do Enfermeiro Kambuta, eu apresentei-me, ele calmamente colocou-me ao corrente de tudo e o que o levou a decidir por mim, para ei ir para a companhia dele, mandou-me preparar tudo para ir com ele no jipe e sem escolta, eu aceitei, não podia dizer «não», o capitão prometeu que eu ia só por três semanas, puro engano, gramei lá três meses, longe dos meus camaradas e sem correio.

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  2. «1ª continuação»
    Como eu era o único Enfermeiro no quartel do ÚCUA trabalhava pouco tempo na enfermaria, quando tinha muito trabalho o Capitão dava sempre uma ajuda, o que não sabia perguntava, e, safamo-nos sempre sem qualquer problema, eu tinha que alinhar sempre em escoltas e piquetes, mas, tinha sempre o apoio do Capitão que quando aparecia casos mais delicados e eu não estava dava ordens de evacuação para o hospital Militar de Luanda.
    Um dia fomos informados que uma berlié que por sinal até era da minha companhia CCS tinha tido o acidente junto à Pedra Verde, nunca soubemos o motivo do acidente, talvez objectos colocados no alcatrão pelo IN, e, que havia mortos e feridos graves, eu ia para sair no honimogue para ir passar a noite ao Caxito para de madrugada levantarmos o correio, para depois distribuir pelas companhias dos Quarteis do BOM JESUS, do Quartel Do PIRI e da minha CCS.
    Recebemos ordens para irmos em socorro dos acidentados, fomos os primeiros a chegar, encontramos um ambiente aterrador, não havia mortos mas todos feridos, dois feridos graves, mais tarde um camarada do acidente acabou por TOMBAR e deixar-nos, daí a pouco tempo chegou mais camaradas do PIRI, do BOM JESUS, de QUIBAXE e da MOSSENGA.
    Nós, os enfermeiros fizemos o que estava ao nosso alcance sem regatearmos a esforços, evacuamos todos os feridos para o Hospital Militar de Lunada, na Ambulância de Quibaxe onde foi o meu camarada e amigo Enfermeiro de Comissão, a viatura acidentada foi rebocada para Quibaxe.

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  3. «2ª continuação»
    Passado um mês do acidente, como eu estava na Enfermaria no ÚCUA, e, alguns camaradas encontravam-se com vários problemas de saúde, e eu via que o melhor era serem vistos pelos médicos, coloquei o Capitão ao corrente da situação, ele tratou de tudo e da papelada necessária, fui ao hospital Militar de Luanda, enquanto os meus camaradas doentes esperavam para serem consultados, eu aproveitei para pedi a um Enfermeiro do Hospital que me desse informações dos meus camaradas acidentados da minha CCS apresentando a data do acidente e a identificação deles, foi então que eu fui levado por esse enfermeiro a local que era um autentico barracão mal arrumado, onde ele me pediu para eu ver se os identificava, e, se eram alguns daqueles que se encontravam naquelas camas, eu ao ver aquelas míseras condições e ao recordar as condições que nós tínhamos criado na nossa enfermaria em Quibaxe fiquei aterrorizado, fui caminhando entre colchões colocados em cima do cimento, com corpos de camaradas militares acidentados, uns gemiam de dor, outros não gemiam pois já não conseguiam, uns nus, outros ainda fardados com as fardas coladas ao corpo ainda com sangue seco, fui caminhando com as lágrimas a caírem-me em bica por ver tudo aquilo, eu só pensava nos tormentos que todos nós passava-mos pelas matas, e, pensando no valioso trabalho exemplar de todos nós enfermeiros e nem só, todos os camaradas que nos acompanhavam e ajudavam pelas matas e nas enfermarias.
    «3ªcontinuação»
    Foi então que os meus olhos viram o que eu menos esperava, o meu camarada e amigo acidentado o Esteves, ele estava todo nu em cima de um colchão no cimento, todo coberto de nódoas negras, e, ainda com pasta de sangue seco, eu calmamente tentei falar com ele, e, consegui ouvir o que menos esperava e não gostei, fui enformado por ele o que aqui não vou escrever, só respondi ao meu camarada e amigo acidentado Esteves da minha CCS, que não saia dali enquanto não resolvessem o problema dele, naquele momento gritei alto e em bom som «AFINAL QUE LOGAR É ESTE AMIGOS? É O BARRACÃO DA MORTE?», apareceu um Senhor Sargento Enfermeiro a quem eu lhe expus todo aquele caso do meu amigo Esteves, o Senhor muito atencioso respondeu, que, desconhecia tudo o que eu acabava de contar, mas, que ia rapidamente tratar do caso do meu amigo, eu perguntei, «amigo, e estes todos qeu aqui estão?» Não tive resposta, o meu amigo foi logo atendido na minha presença, e colocado no lugar apropriado.
    Todas as vezes que fui ao hospital Militar de Luanda tentei saber notícias do meu amigo mas nunca tive resposta, só vim a saber o resto da história à pouco tempo, talvez à quatro ou cinco anos, num convívio da nossa companhia a CCS do BART/6222/73, onde ele me contou a chorar, e, onde me agradeceu tudo o que fiz naquele dia no hospital militar de Luanda, e, eu recusei o agradecimento.
    Tudo isto é caso de guerra que nunca dá para esquecer, e, nos dias de hoje ao recordarmos ainda nos revoltam e nos fazem sofrer, pois somos COMBATENTES DO ULTRAMAR, onde tudo isto se passou.
    «MANUEL KAMBUTA DOS DEMBOS»

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  4. Naquela manhã de domingo o tempo estava quente e tinha chovido uma ou duas horas antes.... Uns escreviam os aerogramas para as "madrinhas" outros discutiam a "bola" e eu regressava do posto do "Pântano" onde tinha olear a Breda.
    Soubemos mais tarde que o homem tinha tirado um curso de "minas e armadilhas na "urss" foi falar com o S.Pedro sem querer.
    Cerca das 11 da manhã uma coluna de fumo elevou-se lá para os lados do ultimo pontão na direção do "bananal".
    Nunca o homem e pensou que um palmo acima da linha d'água estaria um arame de tropeçar e uma "ameixa" na ponta do arame.A ideia era boa . Seguir pelo leito do rio.
    Ficou intacto o pontão nessa manhã e enquanto por lá estivemos.
    Reforçámos a nossa presença enviado mais umas do 81.
    Estávamos no Lunho naquela manhã de meados de 1973.

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  5. Tempo de trovoada mas com a "pêga" na pista e os bolos frescos de Vila Cabral a "debandada" era quase geral para lhe fazer a receção..e só havia recuo quando o capitão ordenava que não queria lá tanta gente junta.
    Fiquei encostado á janela da "cantina" para garantir o pastel de nata e uma "2M" fresquinha garantida pelo Rocha.
    A "Laika" fez-me companhia deitada com o focinho apoiado nas patas da frente e bem esticada na pequena vala escavada pela água do beirado. Dormitava.
    A espera deu para ir observando o que me rodeava naquela tarde tórrida e pacata.
    Um pequeno "carocho" cambaleando vinha pela vala em direção ás patas da cadela. Fixei a cena. O bicharoco não estava para se desviar. "Apalpou" as unhas e de seguida iniciou a subida. A sonolenta abriu um olho e fixou a "presa"...E zás..assim que o intruso chegou ao alcance da mandibula.
    Ainda hoje recordo a cena hilariante. A cadela subiu do chão como impulsionada por uma mola... largou a carocho mais rápido que o tinha engolido que impávido e sereno continuou a sua marcha. A Laika ladrava e rodopiava furiosamente a um palmo do desengonçado. Da boca saía espuma como se tivesse engolido sabão e eu ria até ás lágrimas encostado a um dos barrotes que suportava o telhado.
    Foi um momento divertido aquela tarde no Lunho num dia de 1973.

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