quarta-feira, 16 de março de 2016

  1.   
A cozinha do Lunho.
Dentro  e debaixo destas chapas de zinco  vivi durante 17 longos meses o cenário era naturalmente e por ninguém contestado. Precisei de ideias frescas para bem poder reproduzir o que se passava e o que era o Lunho.Sim porque a inspiração era muito fraca neste reino de solidão e escuridão talvez  eu não consegui incutir a pura realidade.

4 comentários:

  1. Este acampamento possuí além do refeitório que não existiu para praças uma messe-salão de desportos.Dentro deste restaurante "O melhor do Lunho" tomavam refeições os oficiais e sargentos. A cozinha era apegada e a liga-la com refeitório podia ver-se ainda um buraco através do qual os pratos passavam. Sobre o dito buraco existiu um memorial frase lapidar do seguinte teor: "DIETA OBRIGATÓRIA".

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  2. Efetivamente como tinha amor à saúde compria à risca a máxima em causa.Mas também pude ver as geleiras a petróleo constantemente avariadas.As máquinas sofriam a influência do tempo e então quando o ambiente atmosférico ficava mais fresco tínhamos bebidas frescas quando aquecia também elas ficavam quentes.Isto era uma concordância!...
    Os funcionários que nos serviam esses também eram os melhores do Lunho.faltava-lhes apenas o casaco branco e as boas maneiras de todo o empregado que se batia à gorja.
    Para completar as refeições e dado que o jantar era bastante cedo preparavam-se lautos banquetes para as três horas matinais. Apetecia então um frango no churrasco desviado mesmo em vida da machamba.Hoje um à manhã outro e lá iam uma duzia de frangos.O jantar para quem era praça era servido cedo só porque faltavam condições para ser servido com a luz artificial necessitando-se de aproveitar a luz solar.
    O meio era tão pequeno e nada de fazia sem se pensar na mínima coisa.Chegamos mesmo apontar feitos e não feitos que até em tal que nunca pensaram quanto mais executar.O ambiente tinha mais caraterísticas de fêmea do que de macho.
    Tomavam refeições os oficiais e sargentos quem era praça estava sujeito como aquela que se verificava tínhamos uma nessecidade incrível de vitaminas.Nós praças eramos de carne e osso os galões es a divisas nada no devia dizer vivíamos todos dentro daquele madito buraco do Lunho.

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  3. Aquela "taina" foi na arrecadação e só possível pela generosidade do Perdigão e pelo gosto do Luis no cultivo da "Machamba" junto á enfermaria. Do "Continente" vieram chouriços e paios e da Machamba tomates e pepinos.
    Os corpos andavam fracos .."peixe Angola".. com arroz ao meio dia e ao jantar arroz com peixe...
    Safava por vezes um "caneco" de leite condensado e umas bolachas..quando havia.
    Mas naquele fim de tarde enchemos a "mula".. parecia que estávamos em casa..Chouriço assado sandes de paio..salada..tudo regado com "Manica" ou "2M"..Um banquete! E lá para finalizar o repasto e como mandam as regras.."musica".. Havia uma viola..." ferrinhos das picas" ..meias canções e "cantantes" a preceito. Parecia o "largo do coreto" num arraial minhoto.
    Quando voltei a entrar na arrecadação a festa parou e o Luis com o seu "olho clinico" de enfermeiro interrogou..."É pá estiveste morto??".
    Tinha ido á vala dos bidões "escorrer as águas". Lá estive desmaiado ao que me disseram mais de meia hora. Apenas me lembro de acordar sem ter a noção da posição ou lugar onde estava demorando a perceber que ao olhar em frente estava a ver o céu estrelado. Os corpos dos homens estavam cansados e fracos, não aguentavam uma refeição mais abundante. Foi no Lunho em meados de 1973.

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  4. Outra "taina" que não esqueço foi na "transmissões".. Um luxo. Bandejas de Camarões fritos e bem temperados pelo Esteves que rejubilava com o feito e com a companhia.
    Aquilo estava de comer e "chorar por mais" com um pouco de picante a mais para o meu gosto.
    Disso me queixei ao meu vizinho de mesa .Um dos nossos camaradas africanos que tal como eu foi convidado para o repasto.
    Admirado e com cara de espanto o africano interrogou-me com a sua pronuncia característica..."é pá você diz quisto está picante pá..??".. "Espera aí que eu já volto".. poucos minutos passados veio da "Machamba" com um ramo de "jindungo"..que pôs na mesa á nossa frente. E a partir daí "enfiava" para a boca dois Camarões seguidos de um "jindungo"..Passados poucos minutos a testa do dito parecia o beiral de telhado em dia de chuva.. Prova um que assim é bom... dizia. ..."..."..da-se".. disse-lhe eu.
    Foi no Lunho em 1973.

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